Haitianas são as guardiãs da ajuda alimentar
por PATRÍCIA VIEGAS - dn.sapo.pt
Nove americanos presos em Port-au-Prince por suspeita do rapto de 33 órfãos

As mulheres haitianas são desde ontem as guardiãs da ajuda alimentar enviada às vítimas do terramoto de há três semanas. Apenas elas podem dirigir-se aos 16 pontos fixos de distribuição de comida e trocar as senhas de racionamento por sacas de arroz - cada uma delas, com 25 kg, deve durar pelo menos duas semanas. Os homens são encorajados a ficarem no exterior dos centros de distribuição e a acompanhá-las depois de elas fazerem a recolha, protegendo-as de eventuais ataques e tentativas de roubo. O objectivo da nova medida é assegurar uma gestão responsável dos bens disponíveis e evitar a proliferação de um mercado negro.
"Até agora estávamos na fase de distribuição de ajuda apressada e imperfeita. Este sistema de distribuição mais robusta permite chegar a mais gente e de forma mais rápida", disse, citado pela AFP, o porta-voz do Programa Alimentar Mundial Marcus Prior. Esta agência das Nações Unidas pretende assim levar a ajuda alimentar a dois milhões de pessoas - desde o sismo de 12 de Janeiro só conseguiu ainda chegar a 600 mil haitianos carenciados. Muitos dos que estão vivos têm familiares entre as vítimas mortais, 170 mil, perderam tudo o que tinham, ainda que tudo fosse quase nada.
Alguns dos feridos graves poderão ainda vir a morrer, depois de os norte-americanos terem decidido suspender o seu transporte para os Estados Unidos, alertou um médico citado pela BBC. Isso está a acontecer porque alguns estados, como a Florida, recusam-se a suportar os custos associados aos cuidados médicos de que essas pessoas necessitam. E exigem uma clarificação por parte da Administração de Barack Obama.
O terramoto de magnitude 7 roubou os pais a muitas crianças, obrigando-as a juntarem-se aos milhares de órfãos que já existiam naquele país - o mais pobre de todo o continente americano. E deixou-as à mercê dos que, a coberto do pretexto da adopção, as tentam raptar para delas fazer uma mercadoria vendável. Terá sido esse o caso de nove americanos que no sábado foram detidos na zona de Malpasse, entre Haiti e República Dominicana. Levavam 33 crianças entre dois e 14 anos.
"Na fronteira a polícia viu um autocarro com muitas crianças. Quando lhes pediram os documentos das crianças não tinham e a polícia decidiu escoltar o autocarro até Port-au-Prince. Os suspeitos foram entregues à justiça", disse a ministra haitiana da Cultura, Marie Jocelyn Lassegue, um dia depois de o seu homólogo dos Assuntos Sociais ter acusado os americanos de roubo.
O grupo de nove membros da New Life Children's Refuge, organização não governamental cristã com sede em Idaho, nos EUA, negou estas acusações. "Não temos estritamente nada que ver com o tráfico de crianças. É precisamente contra isso que lutamos", assegurou Laura Silsby, líder do grupo, ao Idaho Press-Tribune. A associação que acolheu as crianças em Port-au-Prince indicou,porém, que a maior parte daquelas crianças ainda tem família.
in http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1483532&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas
















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